Filarmónica União Taveirense
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Apesar dos esforços, foram muitas as dificuldades sentidas pela Filarmónica União Taveirense ao longo dos anos, sobretudo de ordem económica. O empenho e a dedicação de Sílvio Rajado (pai) permitiram, no entanto, reerguer a banda e manter a funcionar a escola de música.

A partir de 1985, a colectividade começou a fazer mais do que os tradicionais serviços religiosos, que englobavam as arruadas, as missas e as procissões. Abriu–se a outras correntes e incorporou não só as novas exigências artísticas e musicais, mas também sociais.

A juventude taveirense - e, de uma forma geral, de toda a margem esquerda do Mondego - aceitou o desafio da cultura e nunca deixou de frequentar a escola de música. Da banda saíram alguns executantes de elevada qualidade, seguindo não raro para o Conservatório de Música de Coimbra ou para as bandas militares.

Os últimos anos foram de grande actividade, tendo a Filarmónica Taveirense, que já foi distinguida com a Comenda da Ordem de Benemerência e a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Coimbra, conquistado um estatuto de referência no que diz respeito ao associativismo cultural de toda a região Centro.

Em 2004, a realização de uma “master class” em metais permitiu levar a colectividade ainda mais longe. Cerca de sete dezenas de alunos responderam ao desafio, deslocando–se de localidades tão distantes como Alenquer, Freixo de Espada à Cinta, Gondomar, Tarouca e Caldas da Rainha para melhorar a aprendizagem para tocar tuba, bombardino, trombone, trompete ou trompa.

O resultado foi a realização, no Teatro Académico de Gil Vicente, de um concerto final, ao qual assistiram cerca de 400 pessoas.

E é precisamente nos concertos que recai a grande aposta da Filarmónica União Taveirense, como reconhece o próprio presidente da direcção, José Carlos Tapadinhas, empenhado, por outro lado, no lançamento de um CD ainda antes do 136.º aniversário da colectividade, a 21 de Abril. A vertente formativa não será, todavia, descurada. A realização de uma “master class de madeiras” e a reactivação da orquestra ligeira “Big Band” são metas que a direcção pretende simultaneamente atingir. A escola de música, que funciona ininterruptamente desde os anos 60, é a principal “fornecedora” de músicos à filarmónica, constituída por 57 executantes (35 homens e 22 mulheres), maioritariamente estudantes (ensino secundário e universitário), mas entre os quais também se encontram professores ou motoristas.

Oboés, clarinetes, saxofones, trompetes, flautas transversais, bombardinos, tubas, fagotes, bombos, caixas e xilofones são alguns dos instrumentos tocados pelos músicos, sob regência, desde Março de 2004, do maestro João Paulo Fernandes. A banda de Taveiro tem igualmente um hino próprio, escritor pelo maestro Manuel Eliseu, nos anos 60.

Corria o ano de 1869, quando o padre João Pessoa Godinho e D. Duarte Mello, Visconde de Taveiro, decidiram fundar uma banda de música na margem esquerda do Mondego. Assim, não admira que, com um sacerdote e um titular na sua génese, tivesse tudo de monárquica, a começar pelo nome - “Real Philarmónica União Taveirense. Taveiro era, então, uma pequena aldeia, com fracos acessos e uma longa tradição de isolamento, que só o caminho–de–ferro, anos mais tarde, viria a minorar. Para além da vida do campo, pouco havia em que os homens pudessem passar os escassos tempos livres, vindo finalmente a proporcionar–lhes a ansiada oportunidade de ocuparem os seus momentos de ócio, valorizando-se.

Estará aí, inclusivamente, a explicação para o facto de, no início, os executantes da “Real Philarmonica” serem apenas homens, na sua maioria, até, sem saberem ler nem escrever. Como todas as bandas filarmónicas, a “Real”, que entretanto foi rebaptizada como Filarmónica União Taveirense, atravessou as convulsões políticas do princípio do século, adaptando –se à República, primeiro, e ao Estado Novo, depois.

No período difícil e complexo do pós-5 de Outubro, teve, aliás, à semelhança, diga–se, de muitas outras, um papel importantíssimo na “resistência” da matriz religiosa do povo, ante os avanços do anti–clericalismo de Estado. Já no período salazarista, foi a componente festiva a marcar pontos, com a música a acompanhar todas as pequenas e grandes inaugurações.

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