Filarmónica Casa do Povo de Penacova
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10.FEV.2012
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AFilarmónica da Casa do Povo de Penacova tem na juventude um grande aliado. Das três dezenas e meia de instrumentistas que actualmente integram a banda, mais de três quartos têm uma média de idades abaixo dos 20 anos.

Toda esta energia garante, no entender da presidente da direcção, que se encare o presente com confiança e se olhe para o futuro com esperança. Ainda de acordo com Fernanda Pimentel, a grande aposta nos jovens tem, em Penacova, uma outra dimensão, que passa pela escola de música, dirigida pelo regente da banda, Nuno Vilão Campos, e frequentada por cerca de duas dezenas de alunos. Fernanda Pimentel releva igualmente o “trabalho prestimoso” dos monitores Gonçalo, Alexandre e Álvaro, todos alunos do Conservatório de Música de Coimbra.

Exemplos da grande interacção entre a Filarmónica da Casa do Povo de Penacova e a comunidade são, por um lado, as acções desenvolvidas pelos jovens músicos da banda junto da escola primária da vila, atraindo as crianças para a actividade musical e, por outro, as congregações de vontades que deram origem, recentemente, à criação de um grupo coral, com cerca de meia centena de vozes de todo o concelho.

Apesar do esforço, o número de crianças na escola demúsica diminuiu um pouco nos últimos dois anos.

A substituição do fardamento é actualmente uma “dor de cabeça” para a direcção, que necessita de apoios para poder concretizar essa carência. “O nosso orçamento é curto e não temos possibilidade, sozinhos, de arcar com o custo de um novo fardamento”, salienta a presidente.

Dois ou três novos instrumentos são também necessários para a filarmónica, embora na sua maioria o instrumental esteja em boas condições.

O edifício da Casa do Povo de Penacova, que lhe serve de sede e espaço de ensaios, vai ser alvo de uma intervenção profunda, ao nível do telhado, canalizações, soalhos e caixilharias, estimando–se que as obras, a iniciar em breve, já que a candidatura a fundos comunitários acaba de ser aprovada, impliquem um investimento de 50 mil euros.

Além das receitas próprias, ainda que reduzidas, oriundas dos associados e beneméritos, a instituição conta ainda com apoios do Governo Civil de Coimbra e, pontualmente, da Delegação Regional da Cultura do Centro e do Inatel. Quanto à câmara, Fernanda Pimentel diz que “é preciso que colabore mais”.

Perde–se no tempo a origem da Filarmónica da Casa do Povo de Penacova. Como em muitos outros pontos do país, também ali os meados do séc. XIX “geraram” uma banda. O que não se sabe, ao certo, é a data precisa da respectiva fundação. Sabe–se, isso sim, que surgiu por iniciativa do padre Francisco de Paula Queirós, o qual, no seu testamento, datado de 7 de Maio de 1882, anuncia que no seu funeral não quer “fausto nem música”, sinal evidente que nessa data a filarmónica já existia.

Por informações colhidas junto de pessoas mais idosas, sabe–se também que quando os antigos Paços do Concelho (hoje Tribunal Judicial da Comarca de Penacova) foram construídos já existia a filarmónica, uma vez que um dos elementos constitutivos do seu brasão é uma lira.

A colectividade viveu de forma independente durante muitos anos, até que, em 1930, com o aparecimento da Corporação dos Bombeiros Voluntários, se ligaria a ela, até 1976, ano em que passou a integrar a Casa do Povo de Penacova. Como todas as instituições do género, também ela sentiria, durante a sua já longa existência, momentos altos e baixos. Soube, todavia, fazer face, com maior ou menor dificuldade, a todos eles.

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