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Sexta-Feira
10.FEV.2012
 

 

São cinquenta e três os elementos que fazem a Filarmónica da Casa do Povo de S. Pedro de Alva. O mais novo tem dez anos e toca saxofone. O mais velho tem 69 anos e o seu instrumento de eleição tem sido desde sempre o clarinete. Ao contrário de muitas outras formações musicais no género, a Filarmónica de S. Pedro de Alva não é, como faz questão de sublinhar o seu presidente, uma banda envelhecida. “Apenas onze pessoas tem mais de trinta anos”, explica José Eduardo Correia, presidente da direcção.

Para a juventude da banda terá contribuído decisivamente o facto da Escola de Música ter acompanhado sempre a Filarmónica, fundada em 1965. “Os mais novos têm transitado da Escola de Música para a Filarmónica”, diz o presidente realçando também o trabalho de intercâmbio que a formação tem tido com as escolas. Uma estratégia que o leva a concluir ter sido fácil a captação de jovens para o trabalho da banda. A Escola de Música conta neste momento com 14 elementos e funciona três dias por semana. Já a Filarmónica tem ensaios todas as quintas e sextas–feiras.

De resto, faz questão de sublinhar o responsável pela formação, todos os executantes aprenderam música na própria filarmónica. “Até o regente”, conta José Eduardo Correia.

Mas se o perigo de envelhecimento da filarmónica não é um problema que se coloca, para já, no horizonte da direcção, o mesmo já não se pode dizer da falta de financiamento.

Apesar dos apoios da Secretaria de Estado da Cultura - que permitiram a aquisição recente de dois instrumentos - e da Câmara de Penacova, a banda de S. Pedro de Alva continua a debater –se com um magro orçamento. “Mais de metade vai para os instrumentos”, explica José Eduardo Correia. Depois, salienta ainda, o “apoio anual é muito variável”. “Precisávamos de cerca de 15 mil contos por ano para termos uma situação desafogada”, diz o presidente. Nos últimos dez anos, a formação teve que proceder a uma renovação quase total de todos os seus instrumentos.

O caso não era para menos, já que a banda herdou a maior parte da antiga Filarmónica Estrela de Alva. Mas a renovação instrumental, explica o presidente, nem sempre foi pautada pela compra do material da melhor qualidade. Por isso, adianta, a aposta agora é na renovação dos instrumentos. Mas as aspirações da Filarmónica de S. Pedro de Alva não ficam por aqui. A aquisição de uma nova farda está igualmente nos desejos da banda.

Para além dos apoios da Secretaria de Estado da Cultura e da autarquia, a filarmónica conta ainda com as importantes verbas resultantes das festas realizadas no concelho e zonas limítrofes.

Mas para que possam participar em festas, explica, têm de sair do concelho, porque a zona é pobre. Mas, adianta logo a seguir, os transportes também são caros. “Valem–nos os apoios da autarquia e de outras entidades”, diz o responsável.

Neste ano de 2005, a Filarmónica da Casa do Povo de S. Pedro de Alva, no concelho de Penacova, assinala quatro décadas de vida. Os primeiros passos da filarmónica estão estreitamente ligada à de outra formação: a Filarmónica da Cerâmica Estrela de Alva.

Quando, em 1965, foi criada a de S. Pedro de Alva, o seu fundador, António Adelino Lemos, adquiriu os instrumentos da outra filarmónica, alguns deles já muito antigos. A formação de executantes revelou–se difícil e só foi possível no início graças à colaboração de antigos músicos da Estrela de Alva e da Filarmónica de Penacova. Aprimeira vez que a Filarmónica de S. Pedro de Alva saiu à rua foi em Outubro de 1966. Na altura, ainda sem qualquer fardamento. Será só, em Fevereiro do ano seguinte, que a formação musical estrearia o seu primeiro uniforme.

O período que se seguiu foi conturbado na vida da Filarmónica. O fundador abandona a direcção da Casa do Povo e os novos dirigentes não conseguiram reunir o consenso entre os músicos. De tal forma que a direcção chegou mesmo a equacionar a possibilidade de abandonar o projecto da Filarmónica. Salvou- a a persistência do regente Alípio Miguel e Francisco Figueiredo Coimbra que conseguiram alcançar uma solução de equilíbrio para a continuidade da formação. O seu fundador, António Lemos, chegou a regressar à direcção. Mas por pouco tempo.

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