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A Sociedade Filarmónica Varzeense, actualmente designada Associação Desportiva Recreativa e Cultural Filarmónica Varzeense, com sede em Vila Nova do Ceira, comemora em Abril próximo 103 anos de vida. No entanto, entre 1932 e 1968, esteve inactiva, apesar de ter estado sempre na memória de todos os habitantes da freguesia.
Depois de reactivada, não mais veria, contudo, perigar–lhe a existência. A melhoria da qualidade do repertório tornar–se–ia mesmo, ao longo dos anos, uma aposta das suas sucessivas direcções. Na mente dos seus responsáveis tem estado sempre presente, de resto, o objectivo de proporcionar as melhores condições aos músicos, para que possam cumprir, sempre que forem chamados a actuações públicas, a sua missão de divulgação dos valores culturais da freguesia que representam.
O maestro, Manuel Paiva, reside em Miranda do Corvo, mas está há muitos anos ligado à colectividade.
Em 1990, com a colaboração de alguns varzeenses e o apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Góis, iniciou–se a construção de uma sede para a filarmónica. Trata–se de uma obra que enche de orgulho os dirigentes da instituição e que possui óptimas condições para os ensaios dos filarmónicos e das crianças da escola de música.
O presidente da direcção, Amorim Garcia, reconhece, entretanto, que sem os apoios autárquicos e da Cooperativa Silvo Agro Pecuária “seria muito difícil manter a instituição”.
As receitas provenientes das quotas pagas pelas duas centenas de associados são igualmente, no entender dos responsáveis pela filarmónica varzeeense, “um contributo importante” para a sobrevivência da instituição, apesar de obviamente o seu montante não ser muito elevado.
O facto da escola de música, a funcionar quatro vezes por semana, ser frequentada por dezena e meia de aprendizes, deixa a direcção confiante quanto ao futuro. “Penso que é um número razoável e quanto a isso estamos satisfeitos”, confirma Amorim Garcia.
O instrumental da banda filarmónica, esse já viu, no entanto, melhores dias. “Necessitamos realmente de alguns instrumentos novos, mas sem apoios financeiros para os adquirir, já que se trata de verbas avultadas, dificilmente conseguiremos colmatar essa carência”, reconhece o presidente. A filarmónica efectua as suas actuações, normalmente, nos meses de Verão e dentro do concelho de Góis.
Desloca–se também para fora do concelho, “o que sempre honra a filarmónica e os seus músicos”, sublinha Amorim Garcia, “que dão sempre o melhor de si para levar longe o nome da Associação Desportiva Recreativa e Cultural Filarmónica Varzeense”.
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A Filarmónica Varzeense, de Vila Nova do Ceira, concelho de Góis, foi fundada em 5 de Abril de 1902.
Devido a várias dificuldades, tendo a ver, designadamente, com a emigração e envelhecimento de alguns dos seus elementos, não conseguiria sobreviver para lá de 1932, ano em que se veria forçada a suspender as suas actividades. Desde essa data e até 1968, a colectividade manter–se–ia, ainda assim, na memória dos varzeenses, ansiosos pela sua reorganização. Durante todos esses anos de interregno, a filarmónica ainda tocou alguns números, na inauguração, por exemplo, do telefone na localidade e, também, na formatura dos familiares de algumas pessoas beneméritas, mas nada mais que isso.
Nesse ano, porém, tudo se alterou. Por iniciativa do padre Fernando Ribeiro e com o apoio da Comissão de Lisboa de Propaganda e Melhoramentos em Vila Nova do Ceira, organizou–se um almoço de confraternização para a angariação de fundos, com a finalidade de dar-lhe continuidade - o que foi conseguido. No dia 1 de Janeiro de 1969, aí estava realmente concretizado o seu regresso público, com três dezenas de executantes e um repertório musical significativamente enriquecido, em quantidade e qualidade. Mais: mercê do empenho dos executantes Francisco Carneiro e António Cruz, poria inclusivamente em funcionamento uma escola de música frequentada por cerca de três dezenas de alunos.