Sociedade Filarmónica Figueirense
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 A direcção da Sociedade Filarmónica Figueirense tem vindo a proceder a profundas obras de remodelação do edifício que acolhe a colectividade há já mais de um século. A primeira e a mais urgente das obras incidiu ao nível da estrutura do soalho e arranjo do piso do salão de festas. Depois, seguiram–se intervenções no tecto e construíram-se casas de banho para os frequentadores e nos bastidores do palco.

Em Dezembro de 2004, o hall de entrada do edifício foi todo remodelado e pintada a fachada do prédio, situado na Rua Dr. Santos Rocha, em pleno coração da cidade da Figueira da Foz. Estas obras implicaram um investimento de mais de 20 mil euros, verba que não foi fácil reunir, dado o pouco apoio, segundo os dirigentes da Figueirense, quer da Câmara Municipal da Figueira, quer do Governo Civil de Coimbra.

O presidente Eugénio Ferreira recorda que só foi realmente possível levar por diante o projecto mercê da “ajuda dos sócios e algumas empresas do concelho, como a Soporcel, a Celbi, a Sorefoz e a Cimpor”. As receitas oriundas dos bailes e da representação de peças de teatro constituíram outras fontes de rendimento que muito valeram na circunstância.

Apesar dos muitos melhoramentos já concretizados, a direcção de Eugénio Ferreira prepara–se para iniciar, já no próximo mês de Abril, as obras de recuperação do palco, um trabalho orçado em cerca de três mil euros. “Já pedimos apoios”, revela o dirigente, adiantando que aguarda agora uma resposta das diversas entidades. Ainda no corrente ano, serão iniciados os trabalhos no chão do bar, escola de música e sala de direcção.

É conhecido o gosto de Eugénio Ferreira pela história. No decorrer do trabalho que desenvolveu ao nível da recolha de dados históricos da colectividade, diz ter encontrado referência a uma deslocação que a Sociedade Filarmónica “Os Aliados”, de S. Pedro de Sintra fez, na década de 40, à Figueira da Foz. “Foi no dia 18 de Agosto de 1940, tendo sido fretado um comboio especial para trazer a banda”, recorda. Depois de vários contactos ultimamente estabelecidos, esta congénere sintrense formulou o convite à Figueirense para actuar nas suas instalações no dia em que vai completar 84 anos de existência: ou seja, a 12 de Junho de 2005. Prosseguirá, assim, um intercâmbio iniciado há seis décadas. 

João José da Costa, que viveu entre 1818 e 1903, fundou a Sociedade Filarmónica Figueirense ao quinto dia do mês de Julho de 1842, tendo como principal finalidade “a beneficência, ensinar as pessoas a ler, ensinar música e proteger os pobres”. Os primeiros estatutos da colectividade foram aprovados em Novembro de 1932, sendo depois revistos, pela última vez, em 1993.

Com base no levantamento histórico efectuado por Eugénio Ferreira, a colectividade ficaria entretanto sem direcção em Maio de 1950, porque alguns directores discordaram de uma proposta apresentada à Orquestra Caixeiros (uma espécie daquilo que são hoje os grupos de baile), que efectuava os seus ensaios na sede da Sociedade. Alguns dirigentes de então entenderam que a orquestra não deveria ficar com as receitas do bar no dia dos bailes, mas como outros responsáveis da colectividade também eram directores da orquestra, gerou–se um desentendimento que viria a provocar a queda dos órgãos sociais.

Tudo retornaria, no entanto, ao normal em 1961, ano em que a Fundação Calouste Gulbenkian ofereceu à colectividade um subsídio de mil escudos, verba que permitiu à direcção pagar as dívidas e continuar a dar vida à instituição.

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