Sociedade Filarmónica Sangianense
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Apesar de velha na idade, a Filarmónica Sangianense continua a respirar juventude e, com o entusiasmo das gentes de S. Gião, lá vai abrilhantando, ano após ano, as romarias da região. Ao longo dos tempos, o querer e a vontade de uns quantos cidadãos da terra conseguiram manter a filarmónica activa, é claro que com os inevitáveis altos e baixos, como acontece, obviamente, com todas elas. 

São, de resto, muitas as histórias que fazem parte desta instituição secular. Uma delas diz respeito a uma saída para “abrilhantar” a festa de Santa Eufémia de Paranhos. “Dias antes da partida correu o boato de que em Torrozelo, os filarmónicos locais nos esperavam para nos darem uma ‘surra’, pois havia grande rivalidade entre as duas filarmónicas e Torrozelo ficava mais perto e era local de passagem obrigatório para nós. Aconselhados pelos mais velhos, os executantes mais novos iam à frente, com os largos cinturões da farda enrolados na mão direita, deixando solto o fivelão para o que desse e viesse. Qual não foi a surpresa quando vimos que à entrada de Torrozelo, à beira da estrada, nos esperavam sim!... mas... batendo palmas, e com bandejas de biscoitos e garrafões de vinho”, conta António Canastrinha, no livro dos 150 anos da filarmónica.

O actual presidente da direcção, José Garcia, está satisfeito com a situação da filarmónica, considerando-a “no bom caminho”. O instrumental, que é uma das principais preocupações das direcções de colectividades congéneres, está “afinadinho”, embora haja sempre, naturalmente, arranjos a fazer.

No que respeita ao fardamento dos músicos, tudo aponta para que também possam surgir em breve boas notícias, já que a direcção está a fazer todos os esforços para garantir a substituição.

Depois de vários anos sem casa própria, a banda “ganhou”, na década de cinquenta, um novo espaço totalmente seu, com boas condições para os ensaios semanais da filarmónica e da escola de música.

Os executantes são actualmente 24 e na escola estão 16 crianças. De uma só vez, entraram já este ano mais sete alunos, o que deu um novo ânimo quanto ao futuro. No entanto, devido ao seu isolamento geográfico, muitos são os jovens que acabam por abandonar a terra à procura de melhor vida noutras paragens, o que significa, consequentemente, deixar também para trás a filarmónica. “É sempre um problema que acaba por não estar nas nossas mãos”, reconhece José Garcia.

Sendo uma banda com muitos pergaminhos na região, as saídas são sempre muitas durante o Verão. As povoações do concelho oliveirense são as mais visitadas, mas a banda marca ainda presença para lá do concelho e da própria Beira Serra. Actuou também já no Luxemburgo.

A Filarmónica Sangianense foi fundada em 1842, com base numa escola de música que já existiria nesta localidade do concelho de Oliveira do Hospital.

Corria o ano de 1944, quando, a 8 de Outubro, tinha lugar a assembleia geral em que os jovens de S. Gião fundadores da colectividade deliberaram que Fernando Sousa assumisse a presidência da direcção e Virgílio Cabral e Raul Pereira fossem empossados nas funções de secretários. Aprovaram –se, simultaneamente, os primeiros estatutos, passo indispensável para que a sociedade fosse legalizada.

Arespectiva acta relata que depois de aprovados por unanimidade, os estatutos foram enviados à Câmara Municipal, a fim de seguirem as vias competentes para a sua aprovação oficial.

Durante muitos anos, a filarmónica não teve sede própria. Ensaiava numa casa alugada, situada na Rua do Castelo. Em 15 de Fevereiro de 1948, Albino Alves da Silva reuniu–se com mais alguns sangianenses residentes em Lisboa para decidir da forma como arranjar fundos para a construção de uma casa própria.

Arranjaram - e, mais tarde, com o dinheiro entretanto reunido, compravam o terreno onde viria a ser finalmente construído o edifício que ainda hoje alberga a sede da filarmónica.

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