Associação Bando do Cercal
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10.FEV.2012
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Depois de resolvidas as quezílias entre os grupos “Malhados” e “Caçoilos”, a filarmónica do Cercal retomou a sua actividade e, mais tarde, veio a pertencer à Legião Portuguesa. A participação de grande parte da população na Guerra Colonial criar–lhe–ia, obviamente, dificuldades de recrutamento de executantes, mas acabou por suplantar as dificuldades, sem ter sido forçada, como tantas outras, a interromper a sua continuidade.

Actualmente, tem em funcionamento uma escola de música destinada a formar qualquer elemento que deseje vir a integrar a filarmónica, ensinando–lhe a tocar todos os instrumentos pertencentes à banda, com prévia formação musical. Alguns alunos já frequentam, inclusivamente, o Conservatório, tendo como perspectiva seguir a carreira musical. A Banda Filarmónica do Cercal não se confina, todavia, à sua sede. Os seus 50 elementos deslocam –se regularmente pelo país, participando nos mais variados eventos musicais. Tem sabido, assim, projectar o nome da terra fora do concelho de Soure, dando a conhecer, a outros públicos e outras terras, a sua cultura própria.

Uma banda, além de palmas e de elogios, precisa de apoio humano, interesse, desafios e, muito especialmente, colaboração financeira. A direcção da Banda do Cercal regozija–se, por isso, com a solidariedade de que a instituição é alvo por parte da população.

Assumir a liderança de uma banda não é tarefa fácil, pois as dificuldades são imensas. Mesmo assim, é possível retirar da actividade, no entender dos responsáveis da colectividade de Cercal, um sem–número de virtudes: “proporcionar aos membros uma vida digna, responsável, disciplinada, exigente, alegre e solidária”.

A Banda do Cercal é vista, por isso, como “um investimento humano e cultural”, resultante da vontade de quem lá reside. A filantropia do senhor Gomes, realmente, não foi em vão. De facto, quando o alheamento quer reinar, as relações humanas e a preocupação mútua estão em crise, as bandas filarmónicas têm, então, uma importância acrescida no que respeita à construção da personalidade, de uma consciência, de uma maneira mais positiva de encarar a vida. “E é o caso”, garantem os responsáveis pela colectividade.

Filiada na Federação de Filarmónicas do Distrito de Coimbra, a Banda de Cercal tem colaborado, designadamente, com o INATEL e a Câmara Municipal de Soure. Entre as suas últimas actuações, destaque para as que tiveram lugar, por exemplo, em Miranda do Corvo, Amarante, Pampilhosa, Figueira da Foz e Alcáçovas.

A Banda do Cercal, a despeito das dificuldades com que se tem confrontado, pode orgulhar–se de jamais, desde a fundação, há 102 anos, haver nterrompido a sua actividade. Embora, naturalmente, com altos e baixos, soube cumprir, no fundo, aquilo para que foi constituída: ensinar, por um lado, música aos apaixonados por esta arte e contribuir, por outro, para a ocupação dos tempos livres da população, permitindo–lhe momentos de lazer enriquecimento cultural.

As dificuldades têm surgido, sobretudo, segundo a direcção, ao nível financeiro, como acontece, aliás, com praticamente todas as suas congéneres.

Outro problema, e este perfeitamente localizado, teve a ver com as rivalidades e desentendimentos entre duas facções da população, denominadas os “Malhados” e os “Caçoilos”, tendo uma delas tentado furtar instrumentos à banda com a intenção de formar um novo grupo.

“Uma banda não é (só) uma instituição onde se aprende a ler partituras e a tocar algum instrumento musical. Uma banda é uma escola para a vida”, sublinha a direcção. A colectividade faz, por isso, tudo quanto lhe é possível para fazer dos valores da responsabilidade, da entrega, da doação e do espírito de sacrifício, uma autêntica imagem de marca.

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